Quadragesima III

   Tempus quadragesimæ

Feria sexta post cineres
 
A Virgem Maria em Prece
Albrecht Dürer (1518)

Ato de Oferecimento de Santa Teresinha
do Menino Jesus
 como vítima ao Amor Misericordioso de Deus

Meu Deus, Uno na essência e Trino em pessoas, quero amar-Vos e fazer-Vos amar, quero trabalhar pela glorificação da Santa Igreja, salvando as almas que ainda vivem na terra e libertando as que sofrem no Purgatório. Desejo cumprir inteiramente a Vossa vontade e merecer o grau de glória que me destinastes no Vosso reino: quero, enfim, santificar-me; vendo, porém, a minha grande fraqueza, suplico-Vos, Senhor, que Vos digneis ser Vós mesmo a minha Santidade.
Já que me amastes a ponto de me dar o Vosso Unigênito Filho por Salvador e Esposo, pertencem-me os tesouros infinitos dos seus merecimentos: eu vo-los ofereço de todo o coração, pedindo-Vos humildemente que não olheis para mim, senão através da Face de Jesus e do Seu Coração abrasado em chamas de amor. Ofereço-Vos também os merecimentos de todos os Santos da terra, os seus atos de amor e os de todos os santos Anjos; ofereço-Vos, enfim, ó Beatíssima Trindade, o amor e os merecimentos da Virgem Maria, minha terna Mãe; em suas mãos virginais deponho o meu oferecimento para que Ela vo-Lo apresente.
O seu Divino Filho e meu Esposo muito amado disse-nos que “Tudo quanto pedíssemos ao seu Pai em seu nome, Ele no-lo daria.” Creio firmemente nesta palavra, e confio que os meus rogos hão de ser atendidos... Sim, meu Deus e meu Senhor, quanto mais quereis dar, tanto mais fazeis desejar. Ah! os desejos do meu coração são imensos; peço-Vos, pois, cheia de confiança, que tomeis conta de minha alma. Ah! não tenho a felicidade de receber a Sagrada Comunhão tantas vezes, quantas desejara; mas não sois Vós, Senhor, o Todo Poderoso? Permanecei em mim, assim como no Tabernáculo, não Vos afasteis mais da Vossa pequenina vítima.
Queria consolar-Vos das ingratidões dos maus, e peço-Vos me tireis a liberdade de desagradar-Vos. Se eu por fraqueza cair, alguma vez, logo o vosso olhar purifique a minha alma consumindo todas as minhas imperfeições, assim como o fogo transforma todas as coisas em si mesmo.
Infinitas graças Vos dou, meu Deus, por todos os favores que me tendes concedido, em particular por me terdes feito passar pelo crisol da tribulação. Ah! que delícia contemplar-Vos no último dia arvorando o cetro da cruz! E já que Vos dignastes dar-me em quinhão essa cruz tão preciosa, espero que no céu também hão de, como no Vosso, refulgir no meu corpo, glorificado, os sagrados estigmas da Vossa paixão.
Após o exílio da terra espero ir gozar-Vos na Pátria Celeste, mas não quero entesourar méritos para o Céu; desejo trabalhar só por Vosso amor, com o único fim de Vos agradar, consolar o Vosso Sagrado Coração e de salvar as almas que Vos louvem e amem eternamente.
Ao cair da tarde da minha vida comparecerei diante de Vós com as mãos vazias, porque Vos peço, Senhor, que não conteis as minhas boas obras ... “Todas as nossas justiças são maculadas aos vossos olhos”. Quero, portanto, revestir-me da Vossa própria justiça e receber unicamente do Vosso amor a posse eterna de Vós mesmo. Não quero outro tesouro e outra coroa, senão Vós meu único Amor. Para Vós o tempo é um nada, porque um só dia é como mil anos. Logo num só instante podeis preparar-me para comparecer diante de Vós. E para que a minha vida seja um ato de contínuo e perfeito amor:
Ofereço-me como vítima de holocausto ao vosso amor misericordioso, suplicando-Vos me consumais inteiramente deixando em minha alma transbordarem as vagas de ternura infinita, que em Vós se encerram, e assim eu me torne mártir do Vosso amor.
Fazei que este doce martírio, depois de me ter preparado para comparecer diante de Vós, ponha termo à minha vida para a minha alma se enlaçar sem demora, no eterno abraço do Vosso amor.
Quero, ó meu único e doce Amor, que cada palpitação do meu coração Vos renove infinitas vezes este oferecimento até que “as sombras se tenham dissipado” e possa reafirmar-Vos o meu amor num face a face eterno! ...
Festa da Santíssima Trindade, 9 de junho do ano da graça de 1895.
Acte d'offrande de moi-même,
comme victime d'holocauste à l'Amour miséricordieux
O mon Dieu, Trinité bienheureuse, je désire vous aimer et vous faire aimer, travailler à la glorification de la sainte Eglise, en sauvant les âmes qui sont sur la terre et en délivrant celles qui souffrent dans le Purgatoire. Je désire accomplir parfaitement votre volonté et arriver au degré de gloire que vous m'avez préparé dans votre royaume; en un mot, je désire être sainte, mais je sens mon impuissance, et je vous demande, ô mon Dieu, d'être vous-même ma sainteté.
Puisque vous m'avez aimée jusqu'à me donner votre Fils unique pour être mon Sauveur et mon Epoux, les trésors infinis de ses mérites sont à moi, je vous les offre avec bonheur, vous suppliant de ne me regarder qu'à travers la Face de Jésus et dans son Coeur brûlant d'amour.
Je vous offre encore tous les mérites des Saints qui sont au ciel et sur la terre, leurs actes d'amour et ceux des saints Anges; enfin je vous offre, ô bienheureuse Trinité, l'amour et les mérites de la Sainte Vierge, ma Mère chérie; c'est à elle que j'abandonne mon offrande, la priant de vous la présenter.
Son divin Fils, mon Époux bien-aimé, aux jours de la vie mortelle, nous a dit: «Tout ce que vous demanderez à mon Père en mon nom, il vous le donnera» (Jn. 16,23). Je suis donc certaine que vous exaucerez mes désirs... Je le sais, ô mon Dieu, plus vous voulez donner, plus vous faites désirer.
Je sens en mon coeur des désirs immenses, et c'est avec confiance que je vous demande de venir prendre possession de mon âme. Ah ! je ne puis recevoir la sainte communion aussi souvent que je le désire mais, Seigneur, n'êtes-vous pas Tout-Puissant? Restez en moi comme au Tabernacle, ne vous éloignez jamais de votre petite hostie.
Je voudrais vous consoler de l'ingratitude des méchants, et je vous supplie de m'ôter la liberté de vous déplaire. Si par faiblesse je tombe quelquefois, qu'aussitôt votre divin regard purifie mon âme, consumant toutes mes imperfections, comme le feu qui transforme toute chose en lui-même.
Je vous remercie, ô mon Dieu, de toutes les grâces que vous m'avez accordées: en particulier de m'avoir fait passer par le creuset de la souffrance. C'est avec joie que je vous contemplerai au dernier jour, portant le sceptre de la croix puisque vous avez daigné me donner en partage cette croix si précieuse, j'espère au ciel vous ressembler, et voir briller sur mon corps glorifié les sacrés stigmates de votre passion.
Après l'exil de la terre, j'espère aller jouir de vous dans la patrie mais je ne veux pas amasser de mérites pour le ciel, je veux travailler pour votre seul amour, dans l'unique but de vous faire plaisir, de consoler votre Coeur sacré, et de sauver des âmes qui vous aimeront éternellement.
Au soir de cette vie, je paraîtrai devant vous les mains vides car je ne vous demande pas, Seigneur, de compter mes oeuvres... Toutes nos justices ont des taches à vos yeux! Je veux donc me revêtir de votre propre Justice, et recevoir de votre amour la possession éternelle de vous-même. Je ne veux point d'autre trône et d'autre couronne que vous, ô mon Bien-Aimé.
A vos yeux, le temps n'est rien un seul jour est comme mille ans (Ps. 89,4). Vous pouvez donc en un instant me préparer à paraître devant vous.
Afin de vivre dans un acte de parfait amour, je m'offre comme victime d'holocauste à votre amour miséricordieux, vous suppliant de me consumer sans cesse, laissant déborder en mon âme les flots de tendresse infinie qui sont renfermés en vous, et qu'ainsi je devienne martyre de votre amour, ô mon Dieu!
Que ce martyre, après m'avoir préparée à paraître devant vous, me fasse enfin mourir, et que mon âme s'élance sans retard dans l'éternel embrassement de votre miséricordieux amour !
Je veux, ô mon Bien-Aimé, à chaque battement de mon coeur, vous renouveler cette offrande un nombre infini de fois, jusqu'à ce que, les ombres s'étant évanouies (Cant, 4,6), je puisse vous redire mon amour dans un face à face éternel!!!...
Fête de la Très Sainte Trinité, le 9 juin de l'an de grâce 1895.

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